black shabat

 
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BLACK SHABAT é um programa de encontros mensais que busca ampliar a experiência do som, quebrando seus limites e criando uma zona de instabilidade e pesquisa. Reúne música experimental, música extrema, ruído, performance, acionismo, arte sonora, artes visuais e outros desdobramentos possíveis.

Como o nome do projeto sugere - a partir de um desvio do nome da banda que inaugura o gênero do heavy/doom metal na música do hemisfério norte (Black Sabbath) -, os encontros acontecem uma vez por mês, sempre às sextas feiras, já que ‘shabat’, em hebraico, é o dia de descanso que no judaísmo tem início na sexta à noite e término no sábado. A cada mês, artistas, bandas ou coletivos, nacionais ou internacionais, apresentam suas propostas, trocam experiências, e, em alguns casos, oferecem oficinas no dia seguinte como uma extensão de suas práticas.

Em 2018, serão pelo menos seis encontros acontecendo pelo bairro ou em algum dos espaços da Casa do Povo. Com direção artística de Maurício Ianês e correalização da Casa do Povo com a 55SP, o programa abre uma nova janela para a crescente cena de música experimental e aponta para uma politização do som e dos corpos envolvidos nesta produção, desviando-a dos seus cânones tradicionais.

O projeto conta desde sua primeira edição com duas camisetas, sendo uma criada pelo artista e diretor artístico do projeto Maurício Ianês e a segunda do Bloco Ruído. 

 

 

SEGUNDO ENCONTRO - 24 DE MARÇO 2018 

O segundo encontro acontece no dia 24 de março, às 16h, com os convidados Vomir (França) e Carla Boregas da banda RAKTA (São Paulo). Esta edição acontece como uma proposta de ativação pontual do icônico teatro TAIB, atualmente em fase de renovação, localizado no subsolo da Casa do Povo.

 

Sobre os convidados:

VOMIR é o projeto performático de Romain Perrot (França), artista que trabalha o ruído. Junto a Richard Ramirez (EUA) e Sam McKinley (Canadá), se encaixa na corrente da música experimental chamada Harsh Noise Wall [Parede de Ruído Áspero]. O ruído no seu trabalho é sempre contínuo, monolítico, e no entanto, percebido de formas diferentes por cada pessoa. Romain Perrot realizou mais de 300 gravações e toca regularmente em concertos na cena do ruído internacional. Propõe, há vinte anos, inúmero projetos como músico solo ou em colaboração, no espectro da improvisação selvagem, de parasitismo sonoros e interferências acústicas.

Carla Boregas

Nasceu, vive e trabalha em São Paulo. Começou seu caminho autodidata pelo som como baixista da banda RAKTA em 2012. Em projeto solo, que leva seu nome, se aprofunda na música experimental e intuitiva sendo sua principal prática sonora a manipulação de sons sintetizados com enfoque na repetição, sensorialidade e memória sonora. Também é parte do duo de música eletrônica abstrata FRONTE VIOLETA. Desde 2013 está a frente do selo independente DAMA DA NOITE DISCOS, responsável pela edição física em vinil e fita cassete, de seus projetos e de outros artistas da cena musical independente paulistana.

Sobre o TAIB (Teatro de Arte Israelita Brasileiro)

 

 

Projetado pelo arquiteto Jorge Wilheim com arrojado projeto acústico, urdimento, fosso de orquestra e 400 lugares, o teatro TAIB se firmou como um dos melhores palcos de São Paulo desde a sua inauguração, em 1960. Em diálogo com o posicionamento artístico e político da Casa do Povo, acolheu projetos do Teatro Popular do SESI, do Teatro de Arena e nomes consagrados como Renato Borghi, Plinio Marcos, Augusto Boal, Maria Bethânia, Chico Buarque e MPB-4, além de um repertório da tradição teatral ídiche. Nos anos da ditadura, com peças e shows censurados, ou desafiando a censura, o TAIB se tornou um dos focos da resistência cultural. Foi nesse espírito que Gianfrancesco Guarnieri encenou no TAIB “Ponto de Partida, em 1976, denunciando o assassinato pela ditadura do jornalista Vladimir Herzog.

 

Por falta de manutenção e de uso, o TAIB, assim como muitos teatros e cinemas da região central, perdeu sua força. Os painéis internos do artista israelense Gershom Knispel, o pano de boca do então jovem arquiteto Abrãao Sanowicz e os murais externos de Renina Katz desapareceram. Porém, o TAIB continua sendo um lugar de memória a ser preservado e utilizado. A primeira reativação desse espaço aconteceu em 2013 durante a peça “Bom Retiro 958 metros” do Teatro da Vertigem.

Sobre a Casa do Povo

Construída logo após a Segunda Guerra Mundial, a Casa do Povo foi erguida por meio de um esforço coletivo da comunidade judaica progressista recém-chegada da Europa. O espaço nasceu de um desejo duplo: homenagear os que morreram nos campos de concentração nazistas e criar ao mesmo tempo um espaço que reunisse o que havia de mais vanguardista na época, dando continuidade à cultura judaica laica silenciada na Europa Oriental. Isso se concretizou na inauguração, em 1953, da Casa do Povo como monumento vivo, um lugar onde lembrar é agir.

A tradução dessa ideia está na construção de um prédio moderno, projetado pelo então jovem arquiteto Ernest Mange. Os amplos salões dos andares são espaços maleáveis que se adaptam a diferentes usos. O edifício acolheu ao longo de sua história o jornal Nossa Voz, o Ginásio Israelita Scholem Aleichem, o teatro TAIB e algumas associações comunitárias do bairro.

Em 2011, a Casa do Povo iniciou um projeto de renovação com o objetivo de dar continuidade aos ideais de seus fundadores. Desde então, a instituição voltou a ser inserida no calendário cultural da cidade e, extrapolando os limites da comunidade que a criou, tem se firmado como um dos poucos espaços que desenvolve, abriga e incentiva práticas artísticas focadas no processo, na experimentação e na transdisciplinaridade. Numa relação estreita com sua história, busca se firmar também como lugar de memória trabalhando sempre numa relação estreita com seu entorno.

 

Serviço
Black Shabat com Vomir e Carla Boregas
24 de março de 2018, às 16h
Ingressos R$15 -  à venda no dia do evento

Capacidade: 80 lugares.
Apoio: Institut Français du Brésil e Consulado Geral da França em São Paulo.
Casa do Povo
Rua Três Rios, 252 - Bom Retiro.
Metrô Tiradentes - linha 1 azul
Fone: 11 3227-4015
Instagram: @_casadopovo


 

 

 

 

 

 

PRIMEIRO ENCONTRO - 23 FEV 2018

Inaugurando o projeto, o primeiro encontro do BLACK SHABAT acontece no dia 23 de fevereiro, logo após o carnaval e antecipando as festividades de Purim, com uma proposta de experiência do som com os convidados Lívio Tragtenberg e BLOCO RUIDO.
 

 


Livio Tragtenberg é compositor, escritor, produtor musical e diretor de espetáculos multimídia. Recebeu bolsas de composição da Vitae e Guggenheim Foundation. Recentemente criou a Orquestra de Músicos das Ruas de São Paulo, cujo CD Neuropolis foi lançado pelo Selo SESC. Criou também a Nervous City Orchestra em Miami, Berliner Strassenmusiker Orchester em Berlim, e a Orquestra Mediterrânea.Tem diversos CDs editados, entre eles, Othello e Anjos negros. Compõe também para cinema, vídeo, teatro, dança e cria instalações sonoras.

Pessoas sonoras é uma peça de Livio Tratenberg com música ao vivo e projeção em vídeo de músicos de rua de diferentes cidades e países. Um mosaico que mostra a riqueza cultural das ruas e incentiva a valorização das manifestações populares musicais. O compositor e saxofonista contracena com os músicos de rua virtuais fazendo duetos ao vivo com clarone, acordeon e teclado. Esses músicos têm diferentes origens e estilos, desde sanfoneiros, músicos de fanfarra, cantores e moradores das ruas de Paris e Bulgária e músicos de rua de Jerusalém. 

BLOCO RUIDO é um bloco que sai em cortejo pelas ruas após o carnaval munido de objetos ruidosos portáteis. Circuitos alterados, celulares, amplificadores, sirenes e outros dispositivos são os geradores de som. A manufatura e preparação dos objetos é feita coletivamente antes do cortejo e aberta para novos participantes interessados. O objetivo é trazer novas camadas sonoras para a cidade, ver como o som se relaciona com o espaço e o espaço com o som.