JOÃO LOUREIRO

UAU!

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João Loureiro trabalha com a materialidade das coisas já existentes, dos objetos cotidianos e de consumo, daquilo que conhecemos e organizamos como imagem. Diferente do ready-made de Duchamp, Loureiro não se apropria de objetos, mas os constrói do zero, emprestando suas imagens. Essas obras, esvaziadas de funcionalidade, surgem como espectros e criam uma espécie de narrativa fantástica – é como se, por meio desse procedimento, o artista evidenciasse a presença deles, tornando-os ainda mais fortes do que eram em sua existência padrão. Picolés de madeira, ar-condicionado de isopor, teia de aranha de metal – entre outros –, são apresentados de forma sintética, reduzidos à sua comunicação mais direta, como imagem, algo próximo de um ícone.

Na exposição UAU!, realizada na 55SP, o artista apresenta algumas de suas obras, como Sardinhas, 2015, em que um conjunto de facas inox, estampadas com escamas, formam um pequeno cardume;  Cheques Gigantes, 2015, que o artista criou cheques baseados em modelos reais, impressos em grande escala, como os cheques gigantes que vemos em premiações esportivas; UAU!, 2016, que dá  nome à exposição, consiste em uma caixa de papelão do produto UAU! que recebe uma escultura, feita  para ser encaixada no seu interior, com a forma de um creme de confeitaria, como chantilly ou suspiro; Ponto frio, 2015, faz parte de um conjunto de dez caixas de isopor, de tamanhos diversos, que têm esculpidas nos seus fundos diferentes modelos de aparelhos de ar-condicionado; Picolé Grayscale, 2012, é um picolé em madeira pintado com uma escala de cinco tons de cinza; por fim, Teia, 2011, mostra uma teia de aranha esquemática, construída em ferro chato e pintada com esmalte branco.

O convite da 55SP para que o artista realizasse uma exposição na galeria, ocorreu, principalmente, pois consideramos que a produção de João Loureiro dialoga com o projeto da 55SP, uma vez que o artista trabalha com objetos reproduzíveis em larga escala e faz parte da elaboração de seu trabalho problematizar sobre objetos cotidianos, como coloca a artista Carla Zaccagnini: 

“Desde as primeiras esculturas, em que as referências conhecidas são peças de mobiliário, até as atuais pesquisas em torno da arquitetura, os trabalhos de João Loureiro partem da problematização de um repertório cotidiano para discutir questões ligadas à representação e às relações entre forma e função e, mais do que isso, entre elementos inanimados e os hábitos aos quais atendem e que também conformam”.

Abertura: 20 de Outubro 14 às 17h

Período expositivo: 20 de Outubro a 04 de Novembro.